domingo, 25 de julho de 2010

Terreno da antiga mansão Matarazzo é vendido

*

LOCALIZAÇÃO: Av. PAULISTA
ARQUITETURA: AFLALO & GASPERINI ARQUITETOS
ÁREA DO TERRENO: 12,947 m²

* Desenvolvido e incorporado em parceria: CCP e CCDI
* Em processo de Certificação LEED
* O empreendimento localizado em um dos últimos grandes terrenos existentes na Avenida Paulista, uma das principais avenidas da cidade de São Paulo, será composto por uma torre de edifício corporativo e um shopping center.
* O projeto assinado pelo renomado escritório de arquitetura Aflalo & Gasperini, contará com avançada tecnologia para que o edifício se torne um marco na Avenida Paulista.

O terreno da avenida Paulista em São Paulo, que já abrigou a mansão do conde Francisco Matarazzo, um dos principais industriais do país e onde hoje funciona um estacionamento, foi vendido no início de 2009 por R$ 125 milhões. A Cyrela e uma empresa do grupo Camargo Corrêa confirmaram a compra do terreno de 12 mil metros quadrados da família Matarazzo onde planejam construir um empreendimento imobiliário. Os R$ 125 milhões foram pagos, parte em dinheiro e parte em unidades do empreendimento. Em julho de 2010 a Cyrela realiza uma compra adicional de 1.200 metros quadrados de área locável no empreendimento.Esta área, anteriormente, pertencia a um dos proprietários do terreno que a recebeu como permuta. Com a compra, a Cyrela passa a deter 43,2% do projeto total, reforçando assim, sua presença no empreendimento “que se encontra em uma região bastante desenvolvida da cidade, onde a oferta de terrenos é quase nula” segundo informou a empresa em comunicado ao mercado.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Jayme Matarazzo atuará em "Além da Vida"

Jayme Matarazzo, filho do diretor Jayme Monjardim, vai fazer parte do elenco de “Além da Vida”, novela que vai substituir “Cama de Gato” no horário das seis da Globo. Jayminho, que atuou na minissérie “Maysa” interpretando o próprio pai, vai contracenar com Nathália Dill e Cléo Pires na trama de Elizabeth Jhin.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Família Matarazzo é investigada por mortes


Depois de assistir à ruína de um império que já somou 365 empresas e que hoje acumula dívidas de R$ 200 milhões, a família Matarazzo presenciou apaticamente o desmanche do palacete da avenida Paulista - símbolo da antiga opulência - e agora deixa as colunas sociais para entrar nas páginas policiais. No domingo 21, tornaram-se públicas acusações feitas por um ex-segurança dos Matarazzo, Sérgio Ricardo Vernizzi. Ele afirma que José Carlos Matarazzo Kalil, bisneto do conde Francisco Matarazzo, pioneiro da industrialização em São Paulo, participou em março de 1993 do sequestro e morte de Antônio Erivan de Oliveira Motta. Ainda segundo as denúncias, a empresária Maria Pia Matarazzo, mãe de José Carlos, teria orquestrado a ocultação do cadáver de Motta, encontrado parcialmente carbonizado, em 1º de abril de 1993. "Isso é extorsão contra os Matarazzo", diz o advogado de Maria Pia, Márcio Thomaz Bastos. 

A história está cheia de interrogações e desde a quarta-feira 24 a polícia de São Paulo determinou o sigilo das investigações. A forma como a polícia tomou conhecimento das denúncias, contudo, pesa a favor dos Matarazzo. Conhecido alcagüete, desses que frequentam as portas de delegacias e sobrevivem da venda de informações sobre pequenos marginais, Vernizzi não procurou a polícia para fazer suas acusações. Em novembro do ano passado, ele foi preso em flagrante quando tentava extorquir R$ 400 de um motoqueiro, após apresentar-se como policial. Depois da prisão, a polícia encontrou no porta-luvas de seu carro uma fita cassete onde o próprio ex-segurança narra as acusações contra os Matarazzo. Chamado a depor na Delegacia de Homicídios, Vernizzi confirmou o conteúdo da fita e desapareceu. Os Matarazzo têm ainda uma carta na manga do colete para tentar comprovar a tese da extorsão. Segundo amigos da família, quando for depor, Maria Pia levará à polícia uma cópia da fita gravada por Vernizzi. Esta cópia teria sido remetida a ela há cerca de um ano, época em que o ex-segurança teria feito diversas ligações pedindo dinheiro para não entregar a gravação original à Secretaria de Segurança Pública. 

Por outro lado, contra os Matarazzo também existem alguns fatos. José Carlos não tem exatamente o perfil de um santo. Aos 27 anos, ele responde a cinco inquéritos policiais, todos por estelionato. A polícia entende, porém, que os indícios mais concretos de que a história contada por Vernizzi possa ter alguma veracidade estão nos detalhes da própria história. As denúncias começam com o sequestro de Darci de Moraes, cunhada do milionário da soja Olacyr de Moraes e ex-sogra de José Carlos, ocorrido em janeiro de 1993. Descoberto o cativeiro, ela foi libertada em 7 de fevereiro, mas os sequestradores não foram presos. Segundo Vernizzi, José Carlos teria se juntado a alguns policiais para desmantelar a quadrilha. Em 26 de março de 1993, eles teriam raptado Erivan Motta, um microempresário com várias passagens na polícia, suspeito de ter participado do sequestro. Baleado na perna, Motta teria sido levado até a fazenda Invernada do Sertão, de Maria Pia, em Campinas (SP). Depois de ser torturado até a morte, o microempresário teria sido enterrado pelo grupo. Três dias depois, Maria Pia teria sabido da história. Acompanhada de sua filha Maria Ângela, do médico da família, Bernardino Tranchesi Júnior, e de dois seguranças - o próprio Vernizzi e Roy dos Santos Batista -, Maria Pia teria determinado a ocultação do cadáver. O corpo de Motta, então, teria sido desenterrado e levado para uma estrada vicinal, próxima de Jundiaí (SP). Vernizzi teria regado com gasolina o cadáver, envolto em mantas de forração de carro e sacos plásticos, e ateado fogo. Em 1º de abril, o corpo foi encontrado e identificado. Como não havia nenhum indício que levasse ao assassino, o caso foi arquivado no final de 1995. 

De fato, o corpo de Motta apresentava um ferimento a bala na perna. Junto ao cadáver havia um saco plástico da empresa Terracota, situada nas vizinhanças da fazenda de Maria Pia. A polícia encontrou manchas de sangue no sofá do escritório de Motta, onde de acordo com Vernizzi o microempresário foi baleado. "Temos muito a investigar", diz o delegado Fernando Quibao, responsável pelo caso. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O fim do Império dos Matarazzo


Quase nada restou do império construído por Francisco Matarazzo. Após sua morte, a condução dos negócios foi entregue ao décimo-segundo de seus treze filhos, Francisco Matarazzo Júnior . Mais conhecido como o Conde Chiquinho, ele ficou famoso pela festa nababesca que promoveu para celebrar o casamento da filha Filomena, em 1945. Seus problemas começaram na década de 50, com o avanço da industrialização e o aumento da concorrência ao redor dos negócios da família. Endividadas, as empresas foram vendidas uma a uma, em meio a várias brigas na família, até a concordata no início dos anos 80. Maria Pia, a filha predileta de Chiquinho, apagou a luz.

A vida de FRANCISCO MATARAZZO


Houve um momento em que os negócios do conde Francisco Matarazzo (1854-1937) no Brasil tinham se diversificado tanto que até ele parecia confuso. “Sou comerciante de farinha, de bacalhau, de algodão... Não entendo de mais nada”, brincou certa vez. Não era à toa. Nas cinco décadas que levou para erguer seu império industrial, Matarazzo pôs o dedo numa variedade de empreendimentos e atividades impressionante até para os dias de hoje. Dizia-se em seu tempo que o conde tinha 365 fábricas, uma para cada dia do ano, e é bem possível que isso tenha sido verdade. No auge, as Indústrias Reunidas F. Matarazzo produziam tecidos, latas, óleos comestíveis, açúcar, sabão, presunto, pregos, velas, louças, azulejos. Matarazzo tinha um banco, uma frota particular de navios, um terminal exclusivo no porto de Santos e duas locomotivas para transportar mercadorias no pátio da sede do complexo industrial, em São Paulo. Quando o conde fez 80 anos, suas empresas faturavam 350 mil contos de réis por ano, dinheiro equivalente na época à arrecadação de São Paulo, o Estado mais rico da Federação. Se a conta fosse feita hoje, nenhum dos conglomerados nacionais conseguiria bater Matarazzo.

Ele não foi apenas um pioneiro da industrialização. Matarazzo foi um dos primeiros empresários a se voltar prioritariamente para o mercado interno, numa época em que a economia brasileira era dominada pela exportação de café. Matarazzo descobria consumidores onde ninguém mais enxergava oportunidades de negócio. Ele achava possível ganhar dinheiro produzindo mercadorias que a maioria dos brasileiros consumia aqui mesmo, no dia-a-dia. Arroz, vinho, queijo, quase tudo que aparecia na mesa dos brasileiros era importado na virada do século. Matarazzo foi dos primeiros a enriquecer produzindo esse tipo de coisa no Brasil. Foi assim desde 1881, quando ele chegou da Itália e abriu uma venda em Sorocaba, no interior paulista. A maior parte das mercadorias que expunha nas prateleiras era importada. A primeira que ele começou a produzir aqui foi a banha de porco, que era importada dos Estados Unidos e as pessoas usavam para cozinhar e conservar alimentos. Matarazzo escolhia seus porcos pessoalmente em viagens pelo interior e vendia a banha em barris de madeira que levava à freguesia de porta em porta.

Matarazzo levantou seu império aos poucos. Mudou-se para São Paulo dez anos depois de chegar ao Brasil e só inaugurou a primeira fábrica, um moinho de trigo, uma década mais tarde, em 1900. O sucesso de sua trajetória é uma mistura de esperteza e oportunidade. Como importador, Matarazzo tinha uma visão privilegiada da paisagem econômica. Conhecia os preços das mercadorias e os interesses dos consumidores, tinha acesso a crédito e relações com uma rede de pequenos revendedores. Com tanta informação, ele conseguia saber a hora certa de reduzir as importações de um determinado produto e começar a produzi-lo aqui. Além disso, Matarazzo tinha dinheiro para investir. Especulava com o câmbio e lucrava com o banco, que monopolizava a remessa das economias que os imigrantes italianos despachavam para a terra natal. Como outros pioneiros da industrialização brasileira, ele também teve uma bela ajuda do governo, cuja política de proteção alfandegária reduzia o custo de importação de algumas matérias-primas e impunha tarifas elevadas a produtos estrangeiros que poderiam competir com os nacionais.

As grandes fortunas do início do século foram cevadas nas fazendas de café. Seus proprietários davam as cartas nos negócios, na política e no governo. Matarazzo não fez feio nesse ambiente. Um dos homens mais ricos de seu tempo, tinha mansão na Avenida Paulista e ia para o trabalho de limusine, mas sempre foi visto como uma espécie de novo-rico pela elite da época. O título de conde, recebeu do imperador Vitorio Emmanuele por ter enviado à Itália mantimentos durante a Primeira Guerra Mundial. Matarazzo tinha admiração por Benito Mussolini, a ponto de contribuir com o fascismo financeiramente, e era um sujeito popular entre os italianos que viviam no Brasil. A maioria dos operários em suas fábricas era formada por italianos, e eram feitos em italiano os discursos do patrão aos empregados. Fora da colônia, Matarazzo era visto com desconfiança pelos fazendeiros e pela nascente classe média urbana, e o comportamento da família só fez a antipatia crescer depois de sua morte. Com o velho conde fora de cena, seu império começava a ruir.